Estamos começando a trabalhar em nosso escritório seguindo uma forma alternativa de se projetar, em busca de atender a cada vez mais partes da população inclusive aquelas que mais precisam mas, normalmente, não teriam como contratar um arquiteto.
O método desenvolvido pelo arquiteto argentino Rodolfo Livingston, muito detalhadamente descrito em seu livro “Arquitectos de Familia: El metodo – Arquitectos de la comunidad”, propõe novas etapas de projeto diferentes dos tradicionais “estudo preliminar”, “anteprojeto” e assim por diante. Estas diferenças se encontram, principalmente, no produto que é entregue ao cliente e no grau de participação deste na tomada de decisões, tornando o processo de projeto bastante democrático. Em seu livro, Livingston explica que, como boa parte das pessoas vai ao médico ao menos uma vez na vida, é bastante clara como funciona relação paciente – médico. De outra forma, o mesmo não ocorre com o arquiteto e a maneira como se dá sua relação com o cliente muitas vezes é desconhecida.
A inserção deste método em nosso escritório tem sido amparada também pela dissertação de mestrado na UFMG da arquiteta Priscilla Nogueira, intitulada “Práticas de Arquitetura para Demandas Populares. A experiência dos arquitetos da família”. Ao longo de sua pesquisa, a arquiteta montou um grupo que atendeu a diversas famílias na região metropolitana de Belo Horizonte, seguindo o método proposto por Livingston de uma maneira crítica. Assim, em sua dissertação são relatadas as experiências dos arquitetos e as adaptações que se sentiram necessárias.
Como funciona:
1. No primeiro contato, que ocorre na maioria das vezes por telefone, vemos a necessidade do cliente (projeto de uma casa? projeto de reforma? já moram/utilizam o local?) e agendamos uma entrevista em nosso escritório, muito parecida com uma consulta médica onde o “doente” é a casa, o apartamento, …
2. Nessa entrevista analisamos a proposta do cliente e dos demais moradores/proprietários (no caso de uma loja ou escritório, por exemplo). A intenção é mostrá-los suas próprias ideias, confrontando-as com as necessidades da família. Em alguns casos, é possível que o projeto se resolva aí mesmo.
3. Caso seja interessante seguir em frente, é agendado com o cliente uma visita ao local, quando serão tomadas as medidas exatas e complementadas informações que não tenham surgido na etapa anterior.
4. Voltamos para o escritório e, com base em tudo o que já foi conversado, elaboramos algumas opções.
5. Mostramos aos clientes essas opções, e ele as leva para casa para análise.
6. O cliente retorna ao escritório para conclusão e ajustes em torno de uma opção, ou a combinação destas.
Em outros casos, é possível que as necessidades do cliente sejam todas atendidas até este ponto. Quando se deseja um maior detalhamento do projeto, é elaborado um “Manual de instruções”, que contempla as informações necessárias à obra numa linguagem e visualização mais acessíveis à população em geral.
Em breve postaremos notícias sobre o andamento destes projetos!
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